Numa
chuvosa tarde de sábado, jazia, em cima da antiga mesa de jatobá, uma delicada
xícara de porcelana. As belas flores – rosas e violetas – que davam cor à
branquidão cerâmica, haviam sido cuidadosamente pintadas por tênues toques de
aquarela ao redor da afilada superfície. A xícara, como um todo, tinha um
aspecto frágil e quebrável. Mesmo assim, era indelével. Era uma contradição em
si, um paradoxo misterioso. Como, aparentando ser fraca e quebradiça, poderia
ter sido transposta por tantas ascendências e vivido por tantas eras?
Vôo
Há 15 anos

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