A peça de
cerâmica antiquada parecia encarar-me como se fosse viva. Era uma xícara pequena e vetusta, nostálgica. Nela havia pinturas de flores quase
invisíveis, transparentes, que tanto embelezaram a vida de minha lastimável velha
ao pintá-las. Era delicada como uma formosura, fina como cordel, mas singela
como uma efêmera flor que desabrocha no verão. Contudo, moribunda. Mesmo assim,
eterna, perene, duradoura. Infinita ternura de fulgor, paixão e dor.
Vôo
Há 15 anos

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