Powered By Blogger

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Xícara 2


      A peça de cerâmica antiquada parecia encarar-me como se fosse viva.  Era uma xícara pequena e vetusta, nostálgica. Nela havia pinturas de flores quase invisíveis, transparentes, que tanto embelezaram a vida de minha lastimável velha ao pintá-las. Era delicada como uma formosura, fina como cordel, mas singela como uma efêmera flor que desabrocha no verão. Contudo, moribunda. Mesmo assim, eterna, perene, duradoura. Infinita ternura de fulgor, paixão e dor.

A Xícara

Depois de um tempo sem escrever, decidi postar esse pequeno texto que eu fiz pra escola...


Numa chuvosa tarde de sábado, jazia, em cima da antiga mesa de jatobá, uma delicada xícara de porcelana. As belas flores – rosas e violetas – que davam cor à branquidão cerâmica, haviam sido cuidadosamente pintadas por tênues toques de aquarela ao redor da afilada superfície. A xícara, como um todo, tinha um aspecto frágil e quebrável. Mesmo assim, era indelével. Era uma contradição em si, um paradoxo misterioso. Como, aparentando ser fraca e quebradiça, poderia ter sido transposta por tantas ascendências e vivido por tantas eras?